Ter um rim novo e saudável é o sonho de todo paciente portador de doença renal crônica avançada. Para a realização do transplante de rim há a necessidade de se encontrar uma pessoa que possua compatibilidade sanguínea com o receptor do órgão, ou seja, o sangue do doador será cruzado com o do receptor, e receberá o rim o paciente que apresentar menor risco de rejeição. Por isso, nem sempre a pessoa que está inscrita no topo da lista para recebimento do órgão será contemplada antes do que àquelas que estão abaixo do seu nome. A lista do transplante renal é por compatibilidade e não por ordem de inscrição. Assim, o paciente pode ser chamado para o transplante mesmo não sendo o primeiro da lista.
No Brasil, cada Estado possui a sua lista de pacientes a serem transplantados, ou seja, que receberão um rim. O Estado de São Paulo, por exemplo, possui uma lista fixa na capital, outra no interior e outra na cidade de Campinas. Dependendo da localidade em que é feita a doação do órgão, a pessoa que o receberá deverá pertencer a mesma região do doador, de modo que o paciente que está na lista da capital, via de regra, receberá um rim daquela localidade. “Tem Estado que tem uma regional só. A distribuição é feita para o Estado inteiro”, explica o médico nefrologista Luis Gustavo Modelli Andrade.
Os rins doados são oriundos de pessoas falecidas em virtude de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico ou hemorrágico ou em razão de traumatismo craniano (indivíduos vítimas de acidentes automobilísticos, por exemplo). Contudo, pessoas em boas condições de saúde também podem ser doadores, mas a legislação brasileira permite que um paciente vivo doe seu rim apenas para um familiar (pai, mãe, irmãos, primos e o cônjuge).
O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB), unidade sob interveniência da Famesp, é o terceiro maior centro transplantador renal do Estado de São Paulo, ficando atrás apenas da Escola Paulista de Medicina (EPM) da Unifesp e do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HC-USP). A unidade botucatuense atende os municípios de Avaré, Itapetininga, Itapeva, Itu, Jaú, Ourinhos e Bauru (Hospital Estadual – unidade sob gestão da Famesp). Em 2014, o HCFMB foi responsável por 119 transplantes e, em 2013, 106 procedimentos.
Pacientes submetidos a um transplante renal no HCFMB recebem assistência de uma das Casas de Apoio mantidas pela Famesp. A pessoa que não reside em Botucatu tem a chance de passar um determinado período na Casa recebendo todo auxílio necessário durante o tratamento. O centro de apoio conta com equipe multiprofissional que realiza o acompanhamento do paciente.
Fila de transplantes renais
Atualmente a lista de pacientes a serem transplantados no interior possui 1085 cadastros. A região de Campinas tem 563 e a capital reúne 9142 registros, totalizando, no Estado, 10.790 pessoas que aguardam um novo rim. “A capital tem mais pacientes, pois é mais populosa e a demanda é maior”, destaca Modelli.
O paciente submetido a um procedimento de transplante renal necessariamente deverá realizar monitoramento médico com ingestão de medicamentos durante um longo período. “Esse acompanhamento é semanal nos três primeiros meses, depois passa a ser quinzenal e depois mensal. Os primeiros três meses são os que mais vão exigir do paciente. Tem que vir nas consultas basicamente toda semana, colher exames e acertar a dose dos imunossupressores (medicamentos utilizados para evitar a rejeição do órgão transplantado)”, comenta o especialista.
Ano novo, rim novo
Teresa de Souza da Costa, 64 anos, natural de Ourinhos, no interior de São Paulo, começou o ano de 2015 realizando um transplante renal. No dia 3 de janeiro, ela foi submetida ao procedimento no HCFMB e, em menos de 15 dias, recebeu alta hospitalar. “Fui chamada de surpresa”, comenta.
Há quatro meses na fila de transplante renal, Tereza explica que há mais de 20 anos era portadora de Lupus (doença autoimune provocada por um desequilíbrio do sistema imunológico) e, embora a doença tenha sido controlada, atualmente ela estava com pressão alta, o que pode ter agravado o problema renal. “Comecei o ano com o pé direito. Esse 2015 será maravilhoso”, comemora.
Vinicius dos Santos
Assessoria de Comunicação e Imprensa da Famesp



