Com a intenção de discutir e combater a homofobia, a Prefeitura Municipal de Botucatu em parceria com a Secretaria EstadualEstadual Municipal de Cultura, Secretaria Municipal de Saúde, Hospital Cantídio de Moura Campos, Fundação UNI e o Grupo Liberdade promoveram o 2° Fórum na Luta Contra a Homofobia de Botucatu. O evento ocorreu no dia 24 de maio, no auditório do Colégio La Salle.
Entre os palestrantes convidados, o médico infectologista e diretor de assistência do SAE de Infectologia “Domingos Alves Meira” (serviço gerido e administrado pela Famesp), dr. Alexandre Naime Barbosa, trouxe um panorama atualizado da situação da epidemia da infecção pelo HIV/Aids na população homossexual. Segundo o especialista, uma velha tendência que se julgava minimizada entre o fim da década de 1990 até o início dos anos 2000, está preocupando novamente.
“A cara da epidemia mudou, as pessoas não morrem mais, mas a principal população a ser afetada voltou a ser a de homens que fazem sexo com homens. Não é mais uma questão de se falar em grupo de risco – como ocorreu no começo dos anos 80 e criou estigmas até hoje dolorosos, mas entender quem está mais vulnerável”, disse Alexandre.
Nos dados mais recentes do Ministério da Saúde, de 2012, homens que fazem sexo com homens aparecem como o grupo de maior vulnerabilidade: 10,5% estão infectados. Na população em geral, a incidência é inferior a 0,5%. Para Naime, como houve avanço no controle da doença nos últimos anos, ao ponto de uma pessoa que toma rigorosamente sua medicação ter uma expectativa de vida semelhante à de quem não tem HIV, constatou-se certa redução da percepção do risco, deixando principalmente os jovens menos cautelosos.
“Dentre as diversas formas de discriminação a minorias atualmente, a homofobia se destaca no cenário nacional e internacional, tanto pela posição extremista de alguns grupos na mídia, quanto pelos números de agressões e mortes. A violência contra gays, travestis e lésbicas matou 338 pessoas no Brasil em 2012, e mesmo indivíduos heterossexuais foram vítimas de crimes, quando confundidos com homossexuais”, esclareceu o infectologista.

Também participaram do evento o Padre Beto, da cidade de Bauru, excomungado recentemente da Igreja Católica em virtude de manifestações a favor dos direitos do grupo dos LGBTs, que abordou religião e homossexualidade; o assessor da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, Cássio Rodrigo Silva, que trouxe uma contextualização da homofobia; e o advogado Yves Patrick Galendi, do Tribunal de Justiça de São Paulo, explicando os aspectos da legislação sobre o tema.
Vinicius dos Santos
Assessoria de Comunicação e Imprensa da Famesp



