Dos 1.200 doadores de sangue que comparecem por mês ao Hemonúcleo do Hospital de Base (HB) de Bauru, administrado pela Famesp, 70% são homens com idade entre 18 e 39 anos. De acordo com a assistente social Valéria Coltri, o menor índice de mulheres doadoras não é privilégio da unidade de Bauru. Ocorre em todos os bancos de sangue e se deve a fatores como gravidez, fluxo intenso de menstruação e até por doenças mais frequentes em mulher, como anemia e pressão baixa.
“Nada tem a ver com que gênero é mais ou menos solidário”, brinca Valéria. E a brincadeira é mesmo válida. Afinal o dia era de festa: Dia Nacional do Doador de Sangue. E por conta disso o Hemonúcleo do HB recepcionou os doadores que compareceram à unidade no dia 25 de novembro com um caprichado café da manhã, com direito a frutas, bolos e diversos quitutes.
Entre os doadores estava o vendedor bauruense Richard Andrejevas dos Santos, 38, que doa sangue desde seus 16 anos. “Eu assisti a uma palestra na escola ministrada por funcionária do Hemonúcleo quando eu tinha 15 anos. As informações dela me tocaram”, relembra. Ao completar a idade mínima para ser doador (16), Richard procurou o Hemonúcleo do HB e só parou quando morou por um tempo na cidade de Ourinhos (SP). “Mesmo assim, eu doava ao hemonúcleo de lá”, assegura.
Vinte e três anos depois daquela palestra informativa e com 19 anos de “carteirinha do Hemonúcleo de Bauru”, o voluntário festejou com a equipe o dia do doador e fez questão de trazer uma visita mais que especial: Beatriz, sua filha de dez anos. “Quero que ela entenda, desde já, o quanto é fácil doar sangue e perceba a grandiosidade desse ato”, justificou Richard. Já Beatriz reconhece que ainda tem medo da agulha, mas se depender do pai, muito em breve, ela fará parte dos 45% de doadores de repetição – classificação de Richard, que a cada três meses volta ao Hemonúcleo com a intenção sincera de salvar vidas.
Essa é a conta: ao doar 450 mililitros de sangue você pode salvar a vida de até quatro pessoas. Todo sangue doado é separado em diferentes componentes (como hemácias, plaquetas, plasma e outros) e, numa só doação, você pode beneficiar casos de emergência, pacientes internados e pessoas com doenças hematológicas.

Dos doadores, 70% chegam à unidade espontaneamente, os outros 30% doam por pedidos de familiares ou amigos. Para Valéria Coltri, o ideal seria ter pelo menos 80% de doadores espontâneos. “Mas essa é uma mudança de comportamento. Em geral, nos envolvemos com causas que nos afetam de forma direta”, pondera a assistente social.
Mas, aos poucos, a realidade vai mudando. O gesseiro Luiz Carlos Mansano, 41, por exemplo, foi convencido por um grupo de amigos e aproveitou o Dia Nacional do Doador de Sangue para dar sua contribuição – prática que não realizava desde 2008. “Vou tentar voltar mais vezes”, promete Luiz.

Doe sangue
Para doar sangue basta estar em boas condições de saúde, estar alimentado (porém evitar a ingestão de comida gordurosa nas 4 horas que antecedam a doação e bebidas alcoólicas 12 horas antes da coleta), ter entre 16 e 67 anos, pesar no mínimo 50 kg e trazer documento de identidade original com foto. Em média, nesta época do ano, as doações de sangue chegam a cair até 30% no Estado, daí a necessidade de campanhas em todos os postos de coleta. Os tipos mais raros de doação são B e AB. E os fatores Rh negativos, em geral.

Elaine de Sousa
Assessoria de Comunicação e Imprensa da Famesp



