Durante quatro dias de atividades em Botucatu, colaboradores de diferentes setores e cargos participaram de treinamento conduzido pelo Senai, com orientações e dinâmicas voltadas à acessibilidade, acolhimento e empatia.
Durante alguns minutos, caminhar por um espaço conhecido deixou de ser uma tarefa automática. Foi preciso confiar no colega ao lado, prestar atenção aos sons, perceber obstáculos e lidar com limitações que normalmente não fazem parte da rotina.
A experiência integrou uma nova etapa das ações de sensibilização promovidas pela Famesp (Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar), em parceria com o Senai de Itu, para preparar seus colaboradores para a inclusão de pessoas com deficiência no ambiente de trabalho.
As atividades foram realizadas ao longo de quatro dias, na sede da Fundação, em Botucatu, e reuniram profissionais de diferentes setores e cargos. Além de discutir acessibilidade, acolhimento e barreiras encontradas por pessoas com deficiência, o treinamento, com cerca de uma hora de duração, levou os participantes para uma vivência prática.
Na área externa da Famesp, alguns colaboradores fizeram parte do percurso sem enxergar e precisaram contar com o apoio dos colegas. Outros tiveram a audição limitada durante a atividade, inclusive com o uso de fones que dificultavam ouvir o que acontecia ao redor. Houve ainda quem experimentasse se locomover com as mãos imobilizadas.
A proposta não foi reproduzir a experiência de uma pessoa com deficiência, mas permitir que os participantes percebessem, de maneira concreta, algumas barreiras que podem estar presentes em situações cotidianas e refletissem sobre como suas próprias atitudes podem contribuir para um ambiente mais acessível e acolhedor.
Para Lucinéa Pereira da Silva, técnica de enfermagem do Pronto-Socorro Referenciado e que atua na área de Humanização, a dinâmica trouxe uma nova percepção sobre situações que ela encontra diariamente no trabalho. “Foi uma sensação muito diferente”, conta. Durante a atividade, Lucinéa realizou o percurso com a visão limitada e precisou se apoiar em uma colega. “Eu vejo todo dia pacientes com dificuldades para andar, dificuldades para enxergar, para ouvir”, relatou.

Sueli de Fátima Cordeiro da Silva, também técnica de enfermagem do Pronto-Socorro Referenciado, destacou a importância de compreender melhor as necessidades de quem enfrenta alguma limitação e de perceber o papel de quem está ao redor. “Eles necessitam ter segurança, eles necessitam ter a voz de alguém ao lado deles. Isso faz a diferença”, afirmou.
A ação acontece em um momento de avanço importante nas contratações de profissionais com deficiência em todas as unidades administradas pela Famesp. Em outubro de 2025, a Fundação contava com 100 profissionais PCD. A partir de fevereiro de 2026, foi iniciada uma nova etapa de admissões e, em setembro, esse número chegou a 288. Agora, a Famesp busca contratar mais 58 profissionais para atingir a cota de 5% em todas as unidades que administra.
O crescimento no número de contratações é uma das frentes desse processo. Paralelamente, a Fundação vem investindo na preparação das equipes que recebem esses profissionais, trabalhando questões que passam pela acessibilidade, pelo acolhimento e pelas relações construídas diariamente no ambiente de trabalho.
A proposta é fazer com que a inclusão não esteja apenas nos números, mas também na forma como cada profissional é recebido, respeitado e integrado às equipes.

