Oficinas de artesanato, costura, encadernação e mosaico. Podem parecer simples atividades profissionalizantes para reinserção no mercado de trabalho, mas são muito mais que isso. Por meio delas, pessoas com dependência química, inclusive ex-usuários de drogas, assistidos pela Arte e Convívio, entidade que recebe apoio da Famesp, têm impulsionado significativamente sua recuperação.
Atualmente, são 60 usuários em atividade nas oficinas (costura, encadernação, mosaico, etc), sendo que aproximadamente 20% deles são dependentes de algum tipo de droga encaminhados por uma das entidades que integram a Rede de Atenção Psicossocial de Botucatu ou que procuraram ajuda espontaneamente. A entidade já estuda a possibilidade de receber, também, viciados em crack.
A Arte e Convívio trabalha com a filosofia da economia solidária, associativismo e cooperativismo com foco na recolocação no mercado de trabalho. Todos os objetos produzidos, como por exemplo, artigos para decoração, camisetas e agendas, são vendidos e os recursos utilizados para manter sua estrutura e custear uma bolsa aos usuários.
A equipe de profissionais que atuam junto aos dependentes é formada por psicólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais e artistas plásticos.
Maria Della Coletta, coordenadora da entidade, explica que a capacidade produtiva do usuário de droga é diferente. “O mercado de trabalho ainda tem muito preconceito com essas pessoas, seja por terem sido excluídas dele por conta das drogas ou por nem terem entrado”, afirma. “As atividades artísticas que desenvolvemos na Arte e Convívio potencializam o que eles têm de mais saudável. São importantes para a recuperação e para gerar renda aos usuários de drogas. É uma forma saudável de expressarem suas melhores habilidades”, continua.

A coordenadora da entidade ainda elenca outros benefícios da arte para a recuperação dos dependentes químicos: possibilidade de troca social; melhoria nas relações familiares; os usuários passam a ocupar espaços sociais disponíveis no município e também se caracteriza como uma oportunidade de discutir questões pessoais.
Parceria – A Arte e Convívio firmou recentemente uma parceria com o Instituto Dudalina. A empresa, fabricante de camisas, passou a doar todos os retalhos excedentes gerados durante sua produção para que possam ser utilizados na oficina de costura da entidade botucatuense.
Compartilhando sentimentos – IFCP, de 29 anos, é um dos ex-dependentes químicos que freqüentam as oficinas da Arte e Convívio. Ao longo dos últimos quatro anos ele já passou pelas atividades de encadernação, costura e mosaico. “Convivo com pessoas, por isso tenho que saber lidar com seus defeitos e qualidades. Posso compartilhar com meus colegas o que estou sentindo. Aqui é um local de convívio”, declara.
IFCP conta que seu primeiro emprego foi na Arte e Convívio, onde, segundo ele, convive com pessoas que “não enxergam seu semelhante como doente mental, mas sim como um cidadão como outro qualquer”. “As oficinas me ajudaram muito. Minha mente desacelera. No mosaico, por exemplo, sei como vai começar a atividade, mas nunca sei como vai terminar. Na costura, aprendi a fazer a tarefa sempre do melhor jeito possível”, destaca.
Leandro Rocha
Assessoria de Comunicação e Imprensa da Famesp



