Voluntários e empresas que ajudaram no enfrentamento da Covid-19 recebem homenagens

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Notícia

Voluntários e empresas que ajudaram no enfrentamento da Covid-19 recebem homenagens

Publicado em : 28 de agosto de 2020

Dia Nacional do Voluntariado – 28 de agosto
Mais de 50 mil máscaras de tecido para profissionais do Hospital de Base de Bauru (HBB) foram produzidas desde o início da pandemia. A mobilização envolveu 87 pessoas entre voluntários, projetos sociais e empresas

Nos momentos mais difíceis, não há nada mais encorajador do que saber que alguém está ao seu lado, dando aquela ajuda tão necessária. E na guerra contra a Covid-19 algumas batalhas já foram vencidas graças à solidariedade de pessoas e empresas que se prontificaram a ajudar os hospitais, principalmente com a confecção de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e doação de matéria-prima para a produção.

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Elisa Pavan e Lucia Assis preparam kits de homenagem aos voluntários

Em 28 de agosto comemora-se o Dia Nacional do Voluntariado e não haveria melhor momento para demonstrar gratidão a todos que ajudaram o Hospital de Base de Bauru (HBB). Durante o enfrentamento da pandemia, empresas, grupos de apoio da cidade, funcionários da unidade, voluntários individuais e costureiras anônimas se solidarizaram com a falta de EPIs para a produção de máscaras de tecido aos profissionais da unidade. Kits com carta de agradecimento assinada pela direção, vaso de flores da espécie Kalanchoe e cartão de gratidão estão sendo entregues na casa de cada uma das 87 pessoas que participaram da ação. Os dois últimos itens do kit foram doados por uma floricultura da cidade em mais uma demonstração de solidariedade.

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Kit de homenagens com carta de agradecimento, cartão e flores Kalanchoe

Devido à escassez de EPIs no mercado, problema que afetou diversos países, formou-se uma corrente do bem no hospital, um plano de ação com participação e apoio de várias áreas e comissões, e com envolvimento de funcionários de forma direta e indireta, conta Elisa Regina Pavan, gerente de serviços de apoio do Hospital de Base de Bauru (HBB), unidade estadual de saúde sob gestão da Fundação para o Desenvolvimento Médicos e Hospitalar (Famesp). “Os setores de Abastecimento, Núcleo de Segurança Hospitalar e Serviço de Segurança e Medicina do Trabalho do Hospital de Base procuraram a Gerência de Serviços de Apoio para a possibilidade de confecção de máscaras para os funcionários, mas contávamos com apenas uma costureira, o que impossibilitava a produção para suprir a demanda”. Juntamente com sua equipe, Pavan fez uma campanha de mobilização, primeiro entre os funcionários de outros setores da unidade. O setor recrutou voluntários para solicitar doações de tecido, buscar conhecidos e familiares voluntários dentro e fora do hospital que tivessem conhecimento em costura, auxiliar nos cortes e montagem de kits de proteção, transportar materiais para as costureiras e ajudar na esterilização das máscaras.

Proteção de famílias e profissionais
E aos poucos os profissionais do Base foram encontrando aquelas pessoas que já confeccionavam máscaras para uso próprio e para família, amigos e vizinhos. Ao saber da iniciativa, Marli Fontes Noé Leite quis participar. “Soube através da minha prima que estavam precisando de ajuda para confeccionar máscaras para o hospital e senti que poderia ajudar pessoas que nem conhecia”. Ela conta que fez primeiro para a prima que trabalha no hospital, já que esses itens não estavam disponíveis para venda, e depois para a família e para os profissionais do Base. Produzia em média 100 máscaras por semana. “Mesmo estando longe, me senti perto, contribuindo, fazendo essas máscaras, e receber a homenagem do hospital de Base é muito gratificante” comenta Marli que fez tudo com muito carinho para ajudar a minimizar o risco de contaminação dessas pessoas. Imprevistos acontecem e até mesmo para praticar a solidariedade é preciso ter persistência. Marli conta que durante a produção sua máquina de costura pifou. “Não suportou o volume de trabalho, mas o técnico emprestou uma mais antiga, para dar continuidade” relembra aos risos.

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Voluntária Marli recebe agradecimento e gratidão pela confecção de máscaras

Em muitos casos, a oportunidade de ajudar serviu como uma ocupação para famílias inteiras que precisavam se resguardar. “Se não tiver nada para fazer eu invento” é o que diz Cleia Nunes de Santo, demonstrando muita disposição. Cozinheira em outro hospital da cidade, ela também sempre costurou e, por isso, começou a produzir as próprias máscaras. “Isso aqui pra mim foi uma benção, ter conseguido fazer algo durante essa quarentena”, afirma. O manuseio do tecido só começa 24 horas após a entrega, por precaução. “Aí eu passo a primeira costura, minha mãe revira, e ensinei meu filho a passar no Overlock, para não ficar muito no celular, na rua ou no computador, e nesse meio tempo está todo mundo fazendo alguma coisa”. A mãe de Cleia veio de Belém do Pará em fevereiro deste ano, para passear, mas com a pandemia não puderam sair de casa. Com a ajuda da família começou a produzir máscaras para amigos do serviço, e a vender algumas peças, quando soube que o hospital estava precisando. “Eu já disse que poderia dar o meu nome e graças à Deus foi uma coisa que ajudou bastante a gente ocupar o nosso tempo. Eu me sinto muito bem ajudando a salvar vidas”. A oportunidade aliviou o estresse do isolamento e trouxe satisfação em saber que muitas pessoas usavam as máscaras produzidas.

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Cleia Nunes sempre costurou e quis ajudar a família e também os profissionais

Através das divulgações nas redes sociais muitas pessoas e empresas entraram em contato com o Hospital de Base, principalmente para doações de tecido TNT e de máscaras do tipo Faceshield. Duas fábricas auxiliaram na realização dos cortes, automatizando parte do processo de confecção, iniciativas que fortaleceram a rede de apoio e de solidariedade. “Houve também a participação de vários projetos assistenciais da comunidade tais como o Coronavida, o Grupo Irmã Scheilla, Posso Ajudar, entre outros. Ao todo 87 voluntários produziram mais de 50 mil máscaras e uma média de 2.400 metros de tecidos foram doados ao longo dos cinco meses de projeto” destaca a gerente Elisa Pavan.

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Cleia engajou toda a família no trabalho voluntário

Os voluntários de longa data
A frente do Grupo Irmã Scheilla, mais conhecido como “Os Amarelinhos”, e que desenvolve apoio e acolhimento às famílias de pacientes internados há 25 anos no Hospital de Base, Rosa Angela Toniato Puls fez trabalhos voluntários por toda sua vida. Para ela, “voluntário é aquele que esquece as próprias dores para socorrer as dores alheias. Às vezes as pessoas pensam que voluntário é aquele que não tem o que fazer. Eu falo isso todas as vezes que alguém me pergunta”. Entre as 382 pessoas que participam do grupo Irmã Scheilla há pessoas que passaram por muitos problemas e dificuldades, como doenças, algumas gravíssimas. “Todos têm problemas, mas o voluntário deixa o dele de lado para socorrer o do próximo, tanto que o lema do grupo Irmã Scheilla é O Amor suaviza a Dor”. Devido à pandemia as atividades rotineiras das casas de apoio nos hospitais foram suspensas, mas Rosa não vê a hora de retomá-las. “Esperamos desesperadamente que se possa voltar, reabrir as casas de apoio, para que a gente possa continuar trabalhando”. Ao ser convidada para ajudar na confecção das máscaras pela amiga Cláudia, assistente social do HBB, Rosa Puls topou na hora e formou um grupo de 12 pessoas para costurar. “Fizemos quase 10 mil máscaras, mas aí recolheram, parou de fazer, e a gente fez com o maior prazer, com o maior amor, porque gostamos de trabalhar assim, ajudando sempre” conta. Maria Aparecida Garcia Gagliati também faz parte dos Amarelinhos e ao receber a homenagem do hospital pelo trabalho voluntário desenvolvido, devolveu a gratidão. “Eu é que estou comovida por ter ajudado”.

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Rosa Puls, do Grupo Irmã Scheilla, trabalhou como voluntária a vida toda

Trabalho intenso com ganhos imensuráveis
Por quase todos os dias desde o início da campanha, Wilson Gomes Leal Junior, motorista na unidade de saúde há 3 anos, levou cortes de TNT de um ponto a outro para que as costureiras pudessem produzir as máscaras. Na viagem de volta já levava ao hospital mais remessas do EPI pronto. “Eram muitas costureiras para levar tecidos, na cidade inteira, só que somos em 4 motoristas no hospital, então, revezávamos” explica. O itinerário era bem corrido porque ele dirige a ambulância do Hospital de Base em qualquer necessidade. “O supervisor fazia o cronograma certinho, agendava horários e em uma saída fazíamos um serviço só. Na ida levava os cortes e depois passava na costureira, conforme iam ficando prontas a gente já levava as máscaras para o Hospital de Base”. Quase todos os bairros de Bauru foram visitados pela equipe, de acordo com Junior. “Gostei de realizar esse trabalho diferente, foi muito bom”.

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O motorista Junior fez parte da equipe de coleta e entrega de tecido TNT

Para secretária da gerência de serviços de apoio do Hospital de Base, Lucia Helena Alves de Assis, que trabalha há 5 anos no setor, a experiência vivenciada foi maravilhosa. “Mesmo na pandemia foi gratificante e valoroso poder participar dessa rede de solidariedade com todas as nossas costureiras, e mesmo sem conhecê-las pessoalmente tenho o maior carinho, respeito e gratidão”. Conciliar a rotina diária de trabalho com o apoio logístico ao projeto, fazendo contato com todas as costureiras, empresas, motoristas, foi bem tumultuado. “Era um corre-corre, consultava as costureiras se poderia mandar mais tecido, às vezes quebrava a máquina de uma delas, mas foi um aprendizado único pra nós e pra elas, e o carinho e o vínculo que se criou não tem preço” comemora. Já para a gerente de serviços de apoio da instituição, Elisa Pavan, é gratificante ver a união e o trabalho conjunto fortalecidos ao longo da pandemia. “O comprometimento, a dedicação e a solidariedade de cada um dos envolvidos foi determinante, e graças a cada um desses voluntários foi possível prosseguir com coragem e determinação no enfrentamento dessa pandemia. Por todo esse carinho e reconhecimento do nosso trabalho, deixamos aqui o nosso muito obrigado, e embora as circunstâncias ainda não permitam o abraço, fica registrada toda a nossa gratidão e todo o carinho envolvido. Juntos somos mais fortes e somos todos um”.

(Especial Ronaldo Diegoli | Assessoria de Comunicação Imprensa – Famesp)

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