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Notícia

Saúde de A a Z: Covid-19

Publicado em : 15 de março de 2021

Médico responde a perguntas populares sobre sintomas, tratamento e vacinação

Em um ano da pandemia de Covid-19 (abreviação para “CoronaVirus Disease 2019”, “doença do coronavírus” em inglês), com balanço atual de mais de 107 milhões de infectados e o desastroso número de 2,3 milhões de mortes em todo o globo, médicos e cientistas admitem ter mais clareza da doença, mas a população brasileira ainda patina em informações equivocadas, receitas médicas questionáveis e muitas fake news sobre formas de tratamento e de “prevenção”. Por isso, conversamos com o médico infectologista Alexandre Naime Barbosa, que é professor da Faculdade Medicina de Botucatu (FMB-Unesp), diretor de assistência do Serviço de Ambulatórios Especializados em Infectologia “Domingos Alves Meira” da Famesp, Chefe do Serviço de Infectologia do HC/Unesp (Hospital referência para tratamento de Covid-19) e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia, portanto uma autoridade no assunto que tem sido fonte de entrevistas para veículos nacionais e internacionais ao longo dessa pandemia. E contando com sua experiência, refizemos a ele perguntas populares para tentar esclarecer os principais pontos que merecem atenção nesse cenário, que ainda parece estar distante do fim.

1) Já podemos afirmar que, pela ordem de prioridade, o uso da máscara é mais importante que o uso do álcool em gel para nos proteger do Coronavírus?
Alexandre Naime Barbosa – Não há a menor dúvida de que o uso de máscara em relação à prevenção à Covid-19 é mais importante do que o álcool em gel. Porque é uma doença de transmissão respiratória por excelência. Transmissão por gotícula. Dentro das modalidades respiratórias é a mais importante. Existe ainda a transmissão por aerossol, menos impactante, mas que também é uma transmissão respiratória… Então, o uso da máscara é uma estratégia que previne mais do que higienizar as mãos. Mas não cabe essa discussão porque ambas as coisas a gente tem que fazer. Então, é como falar em dirigir um carro. Você tem que dirigir um carro com cinto segurança e airbag. Não adianta dizer que o cinto de segurança salva mais que o airbag. Você tem que usar os dois.
Saúde de A a Z: Covid-19 - volume
2) Já se sabe melhor quanto tempo o vírus resiste sobre as superfícies? É possível se contaminar pelo Coronavírus ao ingerir alimentos com gotículas, especialmente aqueles de delivery? Existe alguma forma de prevenir essa possibilidade, como esquentar o alimento no forno, por exemplo?
Alexandre Naime Barbosa – Depende muito da superfície. Se for uma superfície porosa, tipo papelão, papel, cortiça, madeira, algumas horas, de 4 a 8 horas. Superfícies lisas, fórmica, mesa de inox, metal, até 4 dias. Então, em geral, a gente já coloca o tempo maior: 4 dias.

A forma de prevenir é lavar sempre as mãos. Porque, mesmo que você coloque a mão numa superfície contaminada, se depois que fizer isso você higienizar as mãos com água e sabão ou, se não tiver disponível, álcool em gel, você acaba com o problema. O que não pode é ter contato com essas superfícies e levar no olho, nariz ou boca.

Sobre contaminar com alimentos, não, não é possível. Porque a cocção, fritura ou qualquer tipo de elemento que eleva a temperatura desnatura o SARS-COV-2, então não é uma via considerada de risco.

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3) Não tive os sintomas clássicos (febre, tosse, dificuldades para respirar) e demorei a ir ao médico por isso. Como saber quando uma diarréia, cansaço e dor de cabeça são preocupantes a ponto de procurar um serviço de saúde?
Alexandre Naime Barbosa – Caso você não tenha tido sintomas clássicos, que além desses citados (febre, tosse, dificuldade para respirar), tem perda de olfato e do paladar, na verdade não existe um bom exame que mostre se você teve ou não Covid. Como saber quando uma diarréia, cansaço e dor de cabeça são preocupantes? Se isso persistir por mais de um ou dois dias, você deve sim procurar atendimento médico e mesmo se os sintomas não forem respiratórios você vai fazer o teste pra Covid-19 pelo Swab- RTPCR (cotonete estéril para coleta de amostra microbiológica) porque você pode não ter sintoma respiratório mas a doença ser causada pelo vírus que está lá presente nas secreções nasais e orofaríngeas, mesmo sem sintomas.
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4) Basta ter confirmação ou até suspeita forte de Covid-19 para que a Azitromicina, Ivermectina e Dipirona façam parte da receita básica que todos os médicos de Bauru (particular e público) prescrevem. Mas Ivermectina, por exemplo, não é para vermes? Por que devo confiar nessa receita do médico? Falam tanta coisa por aí… Como esses remédios agem no organismo?
Alexandre Naime Barbosa – Na verdade, não existe indicação para uso de qualquer medicação para Covid-19 que seja de forma específica. Ou seja: não existe nenhuma medicação que consiga bloquear a replicação do SARS-COV-2, o vírus Covid-19, e infelizmente nenhuma medicação que consiga impedir que o paciente passe da forma leve para a forma moderada ou grave. Então, Ivermectina, Hidroxicloroquina, Nitazoxanida, Colchicina… não ajudam, não têm comprovação científica em evitar a progressão da doença, então não devem ser tomados. E com mais nível ainda de força em não usar são os corticóides, nas formas leves. Os corticóides deve ser guardado só para pacientes que precisam de suporte de oxigênio, pacientes que precisam ser internados. E antibióticos. Porque antibiótico não funciona contra vírus. Então, na verdade, essas medicações não têm eficácia de segurança. E você não deve se automedicar. A prescrição de medicações sintomáticas para covid leve deve, sim, ser feita, com Dipirona, Paracetamol, após avaliação médica.
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5) Para quem tem confirmação da doença e recebe orientação médica para ficar em casa, tomando medicações e repousando, é indicado usar o oxímetro? É verdade que a saturação pode parecer boa mas estar sendo compensada no batimento cardíaco? Como ler isso?
Alexandre Naime Barbosa – Para quem tem a forma leve da doença, e é orientado observação de sintomas, algumas pessoas que são elegíveis para maior risco de progressão pra Covid moderada ou grave, principalmente pessoas que têm comorbidade ou pessoas que já tem mais idade, acima de 60 anos, elas devem fazer a monitorização da saturação com oxímetro, sob orientação médica, em que o médico faça a avaliação dessa saturação diariamente.

O valor que é acima de 94. Limites seguros são 94, 95, 96 até 100 por cento. Lembrando que oximetria tem que ser feita com o indivíduo em repouso por pelo menos 5 minutos e que isso deve ser também tudo realizado por orientação médica diária. Então, observação clínica de pacientes com Covid leve em casa deve ser feita sob supervisão médica, principalmente por telemedicina que facilita bastante.
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6) Existe algum risco em tomar a vacina para uma pessoa assintomática que esteja com o Coronavírus sem saber disso?
Alexandre Naime Barbosa – Não existe risco. Caso você esteja com o vírus incubado, por exemplo, você não tá com sintoma, foi tomar a vacina, acabou tendo contato na sexta, tomou a vacina na segunda e começa a manifestar sintoma na próxima sexta, depois de uma semana. Não, não tem risco. E a segunda dose deve ser feita, a depender da indicação médica, contando quatro semanas a partir do primeiro dia de sintoma na Coronavac e três meses depois na Oxford/AstraZenica.
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7) Se tem risco de tomar a vacina sem saber que está com o vírus no organismo (e até morrer!), não teria que testar todo mundo antes?
Alexandre Naime Barbosa – Não tem risco nenhum de vacinar quem está com Covid. Isso aconteceu nos ensaios clínicos. Então, não tem essa preocupação. Não existe uma comprovação científica de que isso é perigoso. Isso é apenas um mito.
8) Acredita que vai ter vacina esse ano ainda para pessoas com menos de 60?
Alexandre Naime Barbosa – Infelizmente, o governo federal demorou muito para providenciar a compra e a reserva de compra de vacinas. Então, nós estamos vacinando a ritmo de tartaruga lenta. Mas várias outras vacinas estão sendo desenvolvidas no mundo, além da Coronavac e Oxford/AstraZenica, que já temos disponíveis no Brasil, e, provavelmente, ainda que isso seja feito de forma tardia, mais para o final do ano ou talvez até meados de 2022 nós tenhamos a vacinação mais universal, que englobe pessoas abaixo de 60 anos.
Isso deveria ter acontecido antes se o governo federal tivesse feito um plano de compra e reserva de compra de vacinas do mercado estrangeiro, coisa que não fez, ou ainda fomentar de forma mais efetiva a fabricação e pesquisa de vacinas aqui no Brasil.

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9) É verdade que a vacina Coronavac pode dar reação como diarréia, dor de cabeça e dor no corpo, como se fosse uma gripe forte?
Alexandre Naime Barbosa – Em relação à Coronavac ter eventos parecidos com uma gripe forte, não. O que costuma acontecer na Coronavac são eventos leves, dor no local da injeção, vermelhidão no lugar da injeção, um pouco de dor de cabeça, mas é muito raro isso acontecer. Não se assemelha a uma gripe forte. Seria mais um mal estar leve e principalmente dor no local.
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10) É verdade que idosos correm mais riscos com as reações das vacinas? Dizem que a de Oxford dá mais reações em idosos… É verdade?
Alexandre Naime Barbosa – Também não é verdade que a vacina Oxford/AstraZenica dê mais reação em idoso. É uma vacina que, assim como a Coronavac, tem pouco evento adverso. A Oxford/AstraZenica lembra um pouquinho um resfriado comum, mas eventos adversos muito leves: febre baixa, dor no corpo, indisposição, mas muito leve que não necessita de hospitalização nem é grave.
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11) Quem já recebeu a segunda dose de uma vacina contra a Covid-19 há mais de duas semanas ainda pode transmitir o Coronavírus?
Alexandre Naime Barbosa – Na vacinação contra a Covid-19 não existe o efeito de evitar a transmissão. A eficácia das vacinas, quer seja a Coronavac ou a de Oxford, é para evitar as formas graves. Então, mesmo as pessoas estando imunizadas com uma ou duas doses, isso não impede que ela se contamine, tenha um quadro leve de Covid-19 e possa transmitir aos outros. Portanto, não significa, por exemplo, que alguém que está imunizado com as duas doses da vacina, ou uma dose, possa visitar um parente idoso ou alguém de grupo de risco, como pessoas que fazem tratamento contra o câncer.
Ouça

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Atenção: Essas orientações não substituem uma consulta com profissional da saúde. Se você apresenta algum dos sintomas aqui descritos, procure o seu médico e informe-se sobre os cuidados necessários.