Hospital de Base se mobiliza para promover reencontro familiar após 18 anos

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Notícia

Hospital de Base se mobiliza para promover reencontro familiar após 18 anos

Publicado em : 24 de agosto de 2020

Paciente que ficou internado quase um mês em Bauru (SP) pode rever família, no interior do Ceará, dias antes de comemorar o aniversário de 41 anos graças à mobilização de funcionários do Hospital de Base e voluntários. Primeiro contato com família foi por chamada de vídeo, com ajuda de profissionais do Serviço Social

Muitas são as histórias de superação e de troca de afeto entre os brasileiros vivenciadas nesses mais de 150 dias de pandemia do novo coronavírus. Uma delas marca o reencontro da família de Luiz Pereira dos Santos, 40, graças à mobilização de funcionários do Hospital de Base de Bauru (HBB), onde ele ficou internado por quase um mês.

Tudo começou quando Luiz foi encontrado caído em via pública, na cidade de Pederneiras-SP, a 32 quilômetros de Bauru. Ferido e com necessidade de cuidados médicos especializados, ele foi internado na UTI do Hospital de Base de Bauru, em 09 de junho. Sem documentação do paciente, uma assistente social do HBB entrou em contato com o Serviço Social do município de Pederneiras para tentar encontrar os familiares do paciente. A investigação levou a equipe até a família dele, que mora em Jardim, município que fica a 50 km de distância de Juazeiro do Norte, no Ceará, e tem 27 mil habitantes.

Desde o dia em que o setor de assistência do Hospital de Base soube do paradeiro de parte da família de Luiz, foram feitas chamadas de vídeo com a irmã do paciente, a Terezinha, e o afeto foi recuperado de imediato. “Ele reconheceu todos os familiares e foi muito emocionante”, conta Lucimara Rodrigues da Silva Badini, assistente social do HBB, responsável pela maioria das chamadas virtuais. “A investigação envolveu um trabalho de equipe. Ede Sonia Cláudio Rossi, assistente social do CRAS de Pederneiras, nos ajudou muito e ficamos orgulhosas por fazer parte desses finais felizes, com um reencontro famíliar”, completa.

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Reencontro
Luiz saiu do estado do Ceará em 2002. Os pais são falecidos. A família do Luiz acreditava que ele já não estava vivo. O detalhe é que a irmã dele, Terezinha, fez um juramento para a mãe: se encontrasse o Luiz, ela cuidaria dele para sempre. Na tarde de 08 de julho, Terezinha, Rivoni e José (três dos 10 irmãos do Luiz) já estavam aguardando o caçula da família no aeroporto de Juazeiro do Norte/CE. E eles puderam celebrar antecipadamente o aniversário de 41 anos de Luiz, que foi dia 6 de agosto. E Terezinha finalmente pode cumprir sua promessa.

Mobilização
A viagem só foi possível graças a doações de verba, roupas, remédios e mantimentos feitas por funcionários e corpo clínico do HBB, empresários e cidadãos de Bauru, agência de viagens, e voluntários do Amarelinhos. Já a Polícia Civil de Bauru e também a de Pederneiras ajudaram na emissão do boletim de ocorrência para que o seu Luiz viajasse sem os documentos pessoais. Todos unidos pela reinserção social de um cidadão.

“Agradecemos a todos os que nos ajudaram nessa missão e garantimos que o que fizeram foi restaurar uma família. Nosso contato virtual com a Terezinha e toda a família de Luiz, num lugar tão distante e desprovido de recursos materiais, foi uma linda experiência, porque tem algo que todos eles têm de sobra para dar e multiplicar: amor. São lições que mudam nossa vida e nosso olhar como profissionais de saúde”, finaliza Janaína Zanata, gerente de assistência do Hospital de Base de Bauru (HBB).

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Enxergar um paciente além do seu processo de internação é enxergá-lo com os olhos do coração. Essas são as palavras de Cláudia de Campos Coelho, assistente social do HBB que resume bem toda essa empreitada. “O trabalho humanizado ultrapassa protocolos estabelecidos e envolve o entendimento que cada paciente tem uma história e suas particularidades. E, neste caso, buscar alternativas para proporcionar um reencontro após 18 anos de separação foi a melhor estratégia de ação. Uma rede de solidariedade nasceu de repente”, comenta.

A viagem do reencontro familiar rendeu mais de 15 horas de duração entre o transporte rodoviário, aéreo e suas conexões. “O final feliz dessa história só foi possível graças ao envolvimento de pessoas que, sem quaisquer intenções, acreditaram na oportunidade de transformar a vida de alguém. Não há gratificação maior na vida. Eu faria tudo de novo se preciso fosse só pra ver o sorriso e a satisfação em cada rostinho daquela família! Agradeço a Deus por me usar como seu instrumento e a todos que possibilitaram a concretização dessa história. Converso diariamente com a família do Luiz e é gratificante ver que ele está bem e principalmente feliz ao lado de sua família”, finaliza Cláudia.

(Elaine de Sousa e Janice Sato | ACI Famesp)