Em duas décadas, um dos maiores desafios do Hospital foi enfrentado em 2020, na pandemia, quando unidade precisou ser transformada numa referência para Covid-19
Nesta sexta-feira, 11, o “Hospital Estadual de Bauru Dr. Arnaldo Prado Curvêllo” completa 20 anos – 10 deles sob gestão direta da Famesp. A data é comemorada com uma série de eventos, destinados a funcionários, pacientes e acompanhantes, que trarão o selo comemorativo até fechar o próximo ciclo, em novembro de 2023.
Nessas duas décadas, a unidade hospitalar passou por diversas fases e atingiu marcas importantes veja histórico, com milhões de atendimentos oferecidos a uma população que ultrapassa 1,8 milhões de habitantes nos municípios de abrangência do Departamento Regional de Saúde de Bauru (DRS-VI). E nos últimos sete anos, sob a gestão executiva de uma mulher, a médica pneumologista Deborah Maciel Cavalcanti Rosa, o Hospital passou por um diagnóstico de suas fraquezas e forças e adotou a chamada gestão participativa, em que as áreas se entrelaçam e as ações são executadas a partir de profundo conhecimento do Hospital como um corpo só.
Segundo a teoria dos setênios, parte da Antroposofia, filosofia criada por Rudolff Steiner, que também é fundador da Pedagogia Waldorf, a vida é dividida em fases de sete anos, momentos em que podemos compreender com mais facilidade a condição cíclica da vida. Em cada uma das fases somamos mais conhecimentos para nossas vidas e buscamos novos desafios. Com 20 anos de existência, o HEB estaria entrando em seu terceiro setênio. Nesta fase, segundo essa teoria, os processos de desenvolvimento do corpo estão caminhando para a estabilidade da fase adulta. “Estamos já com a altura que vamos ter para toda vida”, por exemplo. Se tomarmos corpo pelo prédio do HEB e alma por todo o seu complexo hospitalar, do operacional à assistência, será que podemos dizer que ele chega a um ponto de “protagonismo da juventude a pleno vapor” nesses 20 anos de existência?
Quem nos responde isso é a diretora executiva do Hospital, Deborah Maciel Cavalcanti Rosa, e parte do grupo gestor montado por ela, com importante participação feminina em áreas-chave da instituição.
“Eu vejo que chegamos num momento de maturidade, sim. Nesses últimos sete anos pudemos fazer um trabalho minucioso de diagnóstico de potências e fraquezas”, conta. “E buscamos estruturar o Hospital com base em processos e não em pessoas. Criamos uma cultura organizacional. Para conseguir isso, investimos nas pessoas, em suas capacitações e ouvimos as experiências delas, com base em anos de vivência no Hospital”, completa Deborah. “O resultado é uma equipe madura, sensível, consciente dos processos e pronta para atingir bons resultados. Temos duas premissas importantes que marcam nossa atuação, especialmente desse grupo atual: ‘o problema é nosso’ e ‘serviço dado é serviço executado’”, destaca.
Perfil

Composto, ao todo, por quatro blocos, o prédio do Hospital Estadual de Bauru “Dr. Arnaldo Prado Curvêllo” conta com oito unidades de internação, seis unidades de terapia intensiva e três centros cirúrgicos. Diariamente, a partir de cinco da manhã, essa unidade hospitalar da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP), gerenciada pela Famesp, recebe ambulâncias e carros de pelo menos 38 municípios da região de Bauru (SP), podendo receber também pacientes de outras cidades, num total de 68, que é a área de abrangência do Departamento Regional de Saúde de Bauru (DRS-6).
Encaminhados de diferentes serviços de saúde de baixa e média complexidade, esses pacientes buscam por atendimentos considerados de alta complexidade, como é o caso das áreas de oncologia, de terapia renal substitutiva e de tratamento de queimaduras. Criado em 11/11/2002, a unidade chega aos 20 anos de atuação como uma importante unidade hospitalar de atendimento terciário. Com mais de 1.700 trabalhadores, o Hospital enfrentou sua fase mais desafiadora durante a pandemia do novo coronavírus, em 2020 ouça depoimentos no portal Narrativas Covid.
A força de um time
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A partir da esquerda: Alexandre, Jonas, Sidnei, Nathaly, Patrícia, Rozeli, Maira, Rosa, Leandro e Paulo. |
Nessas duas décadas, é a primeira vez que as diretorias executiva e administrativa do HEB têm mulheres no comando, com Deborah à frente da primeira e a enfermeira Patrícia Lantman, com 17 anos de casa, na segunda diretoria. Além disso, recentemente, Deborah e seu grupo gestor criaram a Diretoria de Assistência Multiprofissional, dirigida pela enfermeira Nathaly Hatore, que tem 19 anos de Hospital e já passou por vários setores. “O diferencial desta gestão é a igualdade de oportunidade de crescimento, do oficial administrativo ao médico, todos são ouvidos e têm suas experiências valorizadas”, conta Nathaly.
Desde agosto deste ano, mais mulheres passaram a compor o grupo de gestão do HEB. A enfermeira Aline Rodrigues da Silva Cabestre assumiu a Gerência de Assistência Multiprofissional; Rosa Maria Briquezi assumiu a Gerência de Hotelaria Hospitalar e Maira Camila Félix de Freitas assumiu a Gerência de Logística Hospitalar. Como o RH já tem uma mulher na Gerência, com a atuação de Rozeli Tamelini desde o início dessa gestão, em 2015, o quadro de gerências passou a ter quatro mulheres no comando. E das quatro diretorias de gestão, três têm o olhar feminino atento e detalhado para os processos, totalizando sete mulheres nas principais áreas de comando, sem contar supervisões e coordenações.
Deborah reconhece que a participação feminina no grupo gestor cresceu significativamente e, hoje, no aspecto de gênero, existe um equilíbrio com 50% de cada na distribuição de cargos de comando. Mas a escolha das pessoas em áreas-chave não teve esse foco e sim a vivência no Hospital Estadual. Das sete gestoras, por exemplo, todas construíram uma carreira no HEB, passando por diferentes setores e acumulando experiências importantes para desempenharem cargos de liderança.
“Hoje, todos que fazem parte da gestão, independentemente de ser homem ou mulher, estão imbuídos no mesmo propósito, têm ritmos semelhantes e se apoiam como um time deve fazer”, frisa Deborah
“Nesse time, conseguimos trabalhar e sonhar em grupo, é uma construção coletiva e isso nos orgulha demais. E é, sem dúvida, uma boa maneira de reter talentos”, conta a gerente de RH, Rozeli Tamelini, que há 18 anos atua na instituição.
Mais de 3,5 milhões de atendimentos
O presidente da Famesp, Antonio Rugolo Jr., que desde 2012 acompanha a gestão direta deste Hospital pela Fundação, faz um balanço de um ciclo completo em que houve investimento significativo em ações de humanização e gestão participativa, com passos importantes que marcaram a história do Hospital com a criação de um grupo gestor comprometido com a qualidade dos serviços prestados e com a saúde financeira dessa unidade hospitalar.
“Entre 2012 e 2021, nossa gestão contabilizou uma produção significativa, com mais de 1,5 milhões de consultas; quase 2 milhões de exames diagnósticos por imagem oferecidos à rede de saúde; mais de 140 mil internações e quase 60 mil cirurgias ambulatoriais”, mensura.
Somente neste ano de 2022, o HEB já realizou mais de 83 mil consultas médicas, mais de 133 mil exames de diagnóstico e mais de 10 mil internações hospitalares.
É um gigante que tem seu foco nos atendimentos de alta complexidade, com especialidades como Pediatria, incluindo uma UTI com 11 leitos destinados a crianças dessa região; Unidade de Tratamento de Queimados, Oncologia e um Centro de Terapia Renal Substitutiva.
Programação especial

Para comemorar o aniversário de 20 anos, a equipe do HEB organizou uma série de eventos que trarão o selo comemorativo até fechar o próximo ciclo, em novembro de 2023. E neste mês de novembro, entre 11 e 25, estão programadas palestras para os trabalhadores com o tema central saúde e sustentabilidade. De 16 a 18/11, uma feira de saúde será destinada a pacientes e acompanhantes que tiverem agendamentos ambulatoriais neste período, com rodas de conversa, exame de espirometria, orientações sobre prevenção ao câncer de próstata e de mama. E dia 23/11, às 19h, pacientes, acompanhantes e trabalhadores do Hospital serão presenteados com apresentações musicais de grupo voluntário de coralistas em diferentes unidades da instituição.
Em números
O Hospital Estadual de Bauru (HEB) possui, hoje:
1.720 funcionários
1.356 alunos em atividades de ensino nas diversas modalidades
330 leitos de internação
Entre 2012 e 2021, o HEB realizou:
1.216.553 consultas médicas
376.547 consultas não-médicas
1.800.869 exames de diagnóstico por imagem e laboratoriais (externos)
142.292 internações hospitalares
58.258 cirurgias ambulatoriais
288.173 sessões de hemodiálise (tratamento nefrologia)
137.821 sessões de quimioterapia (tratamento oncologia)
(Fonte: Mapa Hospitalar e Ambulatorial, Grupo Gestor HEB)
Você sabia?
As memórias dos principais momentos da intensa batalha que a equipe do HEB travou desde os primeiros dias da pandemia deflagrada em 2020, quando se tornou referência para esse tipo de internação, foram registradas no portal
https://narrativascovid.famesp.org.br/.
(Elaine de Souza, Assessoria de Comunicação e Imprensa da Famesp)





