Fundada por trabalhadores, usuários dos serviços de saúde mental, familiares e pessoas da comunidade, em meados de 1992, a ONG Arte e Convívio, entidade que recebe auxílio da Famesp, busca outras formas de lidar com o sofrimento psíquico intenso, permitindo a ocupação dos espaços da sociedade, exercendo a cidadania para que suas potencialidades possam aparecer. Na organização não governamental os profissionais lidam com o sofrimento de um modo não clínico, contribuindo significativamente na diminuição das internações psiquiátricas.
Os assistidos participam de oficinas de inclusão produtivas por meio das quais fazem mosaicos, costura, encadernação e brechó. Também participam de oficinas culturais e de convivência, nessas trabalham com teatro, cineclube e estamparia. “Nós achamos importante a questão da arte na vida das pessoas. Somos um ponto de cultura, então trabalhamos com arte no dia a dia como produção de vida e de geração de renda. Temos uma loja, onde tudo o que é produzido pelos alunos é vendido e repassado a eles como bolsa”, diz a coordenadora Maria Della Coletta.
Pensando nessa inclusão social e cultural, a ONG chamou o Coletivo de Grafiteiros de Botucatu para uma ação com os assistidos. Na sede da Arte e Convívio, colaboradores, alunos e os dez especialistas em grafite viveram um momento especial e animado no dia 29 de março. “Nós achamos muito bacana o movimento de arte urbana e essa atividade de colorir a cidade deixando ela menos árida. Foi por esse motivo que convidamos os grafiteiros para virem até aqui fazer essa ação”, afirma Maria.
Juntos, profissionais e alunos pintaram com spray as paredes da Organização fazendo desenhos de todos os tipos. “Eu estou achando que os grafiteiros são parceiros nosso. A arte urbana é um jeito de expressar o que está dentro de nós. Quando estamos fazendo um trabalho em conjunto, um faz companhia para o outro e cada um conta sua história, então é um encontro de pessoas boas. E o encontro de hoje nos trouxe experiências que nunca tivemos na vida”, conta o assistido Igor Fernando Campeão Di Palma.

Fotos: Sidney Trovão
Os grafiteiros também estavam muito satisfeitos em poder mostrar e compartilhar seu trabalho artístico com os assistidos da ONG. “Eu faço grafite há 4 anos. Esse tipo de arte pra mim é tudo, é uma forma de me expressar e de passar o que eu estou sentindo no momento. Eu gostei muito do projeto porque acho muito legal essa questão do trabalho social. Os assistidos são incríveis e cada um deles aqui é especial da sua maneira. Estou gostando bastante do movimento”, explica a grafiteira Camila Hilário Biondan.
Grafite é arte de rua e não pichação ou vandalismo
O grafite contemporâneo é uma forma de arte de rua em que os desenhos feitos com spray exprimem ideias e modificam a paisagem urbana. Esse tipo de arte é, muitas vezes, vista erroneamente como poluição visual e vandalismo. Os grafiteiros deixam a sua marca em banheiros públicos, casas abandonadas, edifícios, metrôs, monumentos públicos, ônibus, muros, orelhões, postes, etc.
Para evitar esse tipo de problema e aproveitar o potencial dos artistas foram desenvolvidos projetos visando profissionalizar essa atividade e dar oportunidade aos grafiteiros de manifestarem a sua arte sem comprometer o patrimônio público. Painéis para exibições dos trabalhos e muros próprios para os artistas expressarem suas ideias são iniciativas que pretendem preservar a cidade do mau aspecto causado pelas pichações desordenadas.
As inscrições em grafite são conhecidas desde o Império Romano quando eles utilizavam carvão para escrever palavras de protesto nas paredes. Na década de 60, na cidade de Nova York, jovens provenientes do bairro Bronx começaram a espalhar suas marcas nas paredes da cidade utilizando tintas em spray. Também desenhavam imagens de protesto contra a ordem social dando início a um grande movimento de arte urbana.
Maysa Santos
Diário da Serra



