Nesta semana, no 1º de dezembro, foi comemorado o Dia Mundial de Luta Contra a Aids. A data têm o objetivo de reforçar a solidariedade, a tolerância, a compaixão e a compreensão com as pessoas infectadas pelo HIV/AIDS.
A Aids é o estágio mais avançado da doença, que ataca o sistema imunológico. A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, como também é chamada, é causada pelo HIV. Como esse vírus ataca as células de defesa do nosso corpo, o organismo fica mais vulnerável a diversas doenças, desde um simples resfriado a infecções mais graves, como tuberculose ou câncer. O próprio tratamento dessas doenças fica prejudicado.
O Serviço de Ambulatórios Especializados de Infectologia “Domingos Alves Meira” (SAEI-DAM), Hospital Dia da Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), conta com tratamento especializado destinado a pacientes com AIDS. Atualmente, o Serviço atende cerca de 800 pacientes com HIV, a maioria da região de Botucatu. Os pacientes acompanhados no Hospital são tratados e medicados por toda vida, para que a doença possa ser controlada.
A médica Lenice do Rosário de Souza, diretora do SAEI, afirma que a manutenção desse tratamento não é fácil. “Depende de muita compreensão dos pacientes, da relação médico-paciente e dele com toda a equipe de saúde”, explica.
Segundo a médica, o trabalho no SAEI é realizado por equipe multidisciplinar, facilitando a conscientização sobre preconceito e discriminação de quem tem a doença. “Esses aspectos são discutidos com os pacientes a todo momento durante o seu acompanhamento”, diz.
O médico infectologista e vice-diretor do SAEI, Alexandre Naime Barbosa, explica que, no Brasil, os casos novos de pessoas que se infectam pelo HIV vêm aumentando, principalmente entre os mais jovens (de 13 a 19 anos e de 20 a 25 anos), que estão iniciando a vida sexual. “Estima-se que a população vivendo com o HIV no país esteja entre 700 mil a 1 milhão de pessoas, mas pouco mais da metade desses indivíduos tem o diagnóstico. Essa situação potencializa a taxa de transmissão desse vírus e coloca em risco a vida dessas pessoas”, afirma.
Segundo ele, hoje em dia é possível ser soropositivo e viver com qualidade de vida. Basta tomar os medicamentos indicados no tratamento, e seguir corretamente as recomendações médicas.
Naime destaca a importância da luta contra o preconceito e o estigma por meio de palestras e atividades educacionais. “Procuramos sempre conversar com familiares e amigos das pessoas que vivem com o HIV/Aids, além de colaborar com a imprensa, sempre priorizando a disseminação da informação sobre a doença”, destaca.
Para a diretora do SAEI, a médica Lenice, a relevância do dia 1º de dezembro está no fato de chamar atenção do mundo para o trabalho de combate à Aids. “É um dia especial para se trabalhar com a prevenção de uma doença grave, que, apesar de ter tratamento potente e cada vez mais atual, ele não elimina o vírus do organismo. O preconceito e a discriminação também são lembrados para a conscientização de toda a população”, afirma.
“Nosso principal objetivo em dezembro é enfatizar a importância da prevenção ao HIV e reforçar a solidariedade com as pessoas que vivem com esse vírus”, finaliza Naime.
Saiba mais
Como evitar a transmissão? – Para evitar a transmissão da Aids, recomenda-se o uso de preservativo durante as relações sexuais, a utilização de seringas e agulhas descartáveis e o uso de luvas para manipular feridas e líquidos corporais, bem como testar previamente sangue e hemoderivados para transfusão. Além disso, as mães infectadas pelo vírus (HIV-positivas) devem usar antirretrovirais durante a gestação para prevenir a transmissão vertical e evitar amamentar seus filhos.
Situações de risco – Somente em secreções como sangue, esperma, secreção vaginal e leite materno, o vírus aparece em quantidade suficiente para causar a moléstia. Para haver a transmissão, o líquido contaminado de uma pessoa tem que entrar em contato com o organismo de outra. Isso se dá através de relação sexual (heterossexual ou homossexual), ao se compartilhar seringas, em acidentes com agulhas e objetos cortantes infectados, na transfusão de sangue contaminado, na transmissão vertical da mãe infectada para o feto, durante a gestação ou no trabalho de parto, e durante a amamentação.
Sintomas – Um portador do vírus da Aids pode ficar até 10 anos sem desenvolver a doença e apresentar seus principais sintomas. Isso acontece porque o HIV fica “adormecido” e controlado pelo sistema imunológico do indivíduo. “Quando o sistema imunológico começa a ser atacado pelo vírus de forma mais intensa, começam a surgir os primeiros sintomas, que são: febre alta, diarreia constante, crescimento dos gânglios linfáticos, perda de peso e erupções na pele”, esclarece Dr. Alexandre Naime.
(Vivian Abílio, Agência 4toques)



